Erika Hilton: um símbolo de representatividade no Brasil
fui para a Parada LGBT com um objetivo claro: registrar ela
Eu fui para a Parada LGBT com um objetivo muito claro: registrar a Erika Hilton. Eu não sabia que horas ela chegaria, nem como conseguiria me aproximar. Só sabia que, se a oportunidade aparecesse, eu precisava estar pronto. Depois de atravessar a multidão, ouvir alguns “não” e quase desistir, consegui subir no trio. Me apresentei, pedi um retrato, e ela aceitou com a generosidade de quem entende a importância de um olhar.
Existem fotografias que acontecem por acaso. Outras exigem que a gente caminhe até elas.
No dia da Parada LGBT, eu já saí de casa com um objetivo: registrar a deputada Erika Hilton. Eu sabia que ela estaria no evento, mas ninguém sabia exatamente quando chegaria ou em qual momento subiria no trio. Enquanto esperava, fiz o que sempre faço: fotografei a vida acontecendo. Rostos, bandeiras, abraços, performances, a energia das pessoas ocupando as ruas. A Parada estava especialmente bonita naquele ano.
Quando os trios começaram a andar, segui acompanhando tudo, fotografando sem parar. Foi então que, no meio da multidão, ouvi a voz dela sendo anunciada. Os gritos confirmavam: ela havia chegado.
Eu estava no último trio. Ela estava no primeiro.
Sem pensar muito, atravessei a multidão. Caminhei o mais rápido que consegui até alcançar o trio onde ela falava. Quando cheguei, encontrei a escada cercada por seguranças. Ninguém mais podia subir. Fiz alguns registros dali de baixo enquanto ela discursava. Ouvir a Erika de perto foi emocionante. Existe uma força muito grande na maneira como ela fala e na forma como as pessoas respondem às suas palavras.
Mesmo assim, eu ainda não tinha feito a fotografia que imaginava.
Pedi autorização para subir. Recebi um não. Esperei mais um pouco. Outro não. Por alguns minutos pensei em desistir. Afinal, parecia impossível.
Mas havia uma frase que não saía da minha cabeça: eu vim aqui para isso.
Quando o trio fez uma curva, o diretor da Parada desceu por alguns instantes. Aproveitei aquele pequeno espaço de oportunidade. Expliquei que eu era um dos fotógrafos que estavam registrando o evento, contei que aquele retrato era importante para mim e pedi mais uma vez. Insisti com respeito, mas sem abrir mão daquilo que eu tinha ido buscar.
Ele sorriu e disse que eu podia subir.
Lá em cima, encontrei a Erika cercada por poucas pessoas. Me apresentei, contei que sou fotógrafo e retratista e perguntei se poderia fazer um retrato dela.
Ela respondeu com um sorriso:
“Claro.”
Virou o rosto, ajeitou o cabelo naturalmente e fez uma pose. Em poucos segundos, fiz três fotografias. Agradeci, me despedi e desci do trio.
Saí dali emocionado.
Não apenas porque fotografei uma pessoa pública que admiro pelo trabalho que realiza, mas porque aquela fotografia me lembrou de uma coisa muito maior: oportunidades raramente chegam prontas. Muitas vezes elas aparecem disfarçadas de portas fechadas, negativas e obstáculos. E cabe a nós decidir se vamos aceitar o primeiro “não” ou continuar caminhando.
Desde esse dia, percebi que também quero registrar pessoas cujas histórias transformam o mundo. Rostos que carregam coragem, representatividade e memória.
Essa fotografia não representa apenas um encontro com a Erika Hilton. Ela representa a escolha de acreditar até o último instante.
Porque, às vezes, a diferença entre voltar para casa sem a foto e voltar com uma das imagens mais marcantes da sua trajetória é simplesmente não desistir antes da hora.


