-10 °C e um sonho que não podia esperar

Mariana e Matheus trocaram o conforto pela aventura

Algumas lembranças valem qualquer frio.

Tudo começou de última hora. Mariana decidiu que queria fazer o pré-wedding e só existia uma data disponível. O problema? A previsão marcava menos de 10 °C.

Quando ela viu um ensaio que eu havia fotografado na Cachoeira de Tapiraí, não teve dúvidas. Era ali que queria viver aquele momento.

 9 da manha ja estavamos em Tapiraí


Chegamos cedo, todos muito agasalhados. Bastaram alguns passos para o silêncio tomar conta. A beleza da cachoeira impressiona de um jeito difícil de explicar. É um daqueles lugares que parecem intocados, quase mágicos. Mariana e Matheus ficaram encantados logo no primeiro olhar, e eu revivi a mesma sensação que tive quando conheci aquele lugar pela primeira vez.


Naquele instante, percebi que estava realizando um sonho antigo. Desde a primeira visita à Cachoeira de Itapiraí, eu imaginava meus clientes vivendo aquela experiência. Sempre pensei: “Um dia ainda vou trazer pessoas aqui para criar memórias inesquecíveis.” Ver aquele desejo se tornar realidade foi tão especial quanto fotografar.


O frio era intenso. Eu deixei totalmente livre a decisão de entrar ou não na água. Ninguém precisava provar nada.


Mas Mariana sorriu e disse, de forma muito simples:


“Eu já estou aqui. Então eu vou entrar.”


E entrou.



As duas horas de ensaio foram marcadas por gargalhadas, água congelante e uma boa dose de coragem. A parte mais difícil era fotografar sem que as caretas de frio aparecessem. Ainda assim, toda vez que alguém começava a rir, o frio parecia perder a força.


Mais tarde, Mariana me contou:


“A gente ria de desespero. Afundar o corpo na água gelada para fazer as fotos com o véu foi engraçado demais.”


Ela também resumiu exatamente o que aquele lugar desperta em quem o conhece:


“Quando demos de cara com aquela cachoeira, foi mágico. Parece um lugar desenhado por Deus. É um dos lugares mais lindos que já vi.”


No fim do ensaio, ninguém sentia apenas frio. Sentíamos aquela fome de quem viveu uma aventura de verdade. Fomos beliscando o que havia no carro durante o caminho, mas a tradição falou mais alto: a viagem terminou em um McDonald’s, relembrando cada risada e cada momento daquele dia.


Hoje, quando olho essas fotografias, não lembro da temperatura. Lembro da coragem da Mariana e do Matheus, das gargalhadas entre um clique e outro e da certeza de que algumas histórias só existem porque alguém escolheu vivê-las, mesmo quando tudo parecia dizer o contrário.